Brasil, 20 de outubro de 2014  
Home Versão em inglês do website

Home
Paraíso
Planalto
Cactos
Bromélias
Contate-nos
Links Importantes
Notícias
Artigos

Especial
Cadastre um Weblink
Canal do Editor

Últimas Notícias
Nas montanhas ao longo do Velho Chico
De San Carlos de Bariloche aos pampas gaúchos
Os Discocactus e os Urubus
De Posse a Barreiras
Caverna de Terra Ronca, o Cerrado e os Cactos

Pesquisa

De San Carlos de Bariloche aos pampas gaúchos  

Os cactos do frio

Esteves nos frios habitats

Envolvidos na produção de um comercial para televisão, com tema natalino, rodado na neve do Cerro Catedral, por quatro dias estivemos em San Carlos de Bariloche, na Argentina.
Na volta ao Brasil, nós visitamos habitats de cactos no Rio Grande do Sul, na região das Minas de Camaquã e Bagé, em companhia do amigo Francisco Stockinger.

Bariloche - Argentina

Na época, outubro de 1981, numa fase de grande repressão militar, a Argentina estava dominada por truculenta ditadura (1976-1983) que não permitia, principalmente, muita movimentação de estrangeiros em seu território. A imprensa era mantida sob severa censura, e assim, ao desembarcamos com nosso equipamento de filmagem nos tornamos o alvo de todas as atenções dos agentes de segurança.
O momento na Argentina era de grande cautela exigindo de nós cuidados redobrados nos contatos e comentários. Não era para menos, pois por qualquer motivo fútil, os militares assassinavam seus compatriotas, deixando os argentinos numa situação de grande incerteza e insegurança. Estima-se que durante aquela ditadura, os carrascos militares seqüestraram e torturaram cerca de 30.000 argentinos (e estrangeiros que viviam no País), e destes, aproximadamente 9.000 foram assassinados ou continuam “desaparecidos”.
Ainda no aeroporto de Ezeiza, em Buenos Aires, nós fomos levados a uma sala para interrogatórios e após uma bateria de perguntas fomos liberados para nossas filmagens.

Já em Bariloche, nós contratamos dois atores argentinos e algumas crianças para atuarem no nosso comercial e, como aquele era justamente o segmento intelectual mais vigiado e temido pelos militares, nós e os atores ficamos sendo observados e praticamente isolados entre a cidade de Bariloche e a estação de Ski do Cerro Catedral. Era início de temporada na região e os hotéis ainda não estavam lotados, mas já havia alguns turistas.
Em companhia dos atores, circulamos pelas geladas lojas de artesanatos em busca de artigos para alugar, como botas térmicas, luvas e casacos para nos proteger do frio da neve no Cerro Catedral.
Enquanto a gente tomava chocolate quente, dava para perceber que estávamos sendo observados, à distância, por agentes de segurança (em geral usavam óculos e vestiam grossos agasalhos). Inclusive, no outro dia, ao chegarmos ao Cerro Catedral para as filmagens, um homem apresentou-se como guia, dizendo ser funcionário da empresa que explorava a estação de Ski e que sua função era prestar ajudar aos turistas. Tudo bem! Tomamos o teleférico que nos conduziu ao topo congelado da montanha, onde montamos nosso set de filmagens

Vista das montanhas geladas na Argentina

Turista esquiando no Cerro Catedral

Muito prestativo, o dito cujo nos ajudou com os equipamentos e, durante a maior parte das filmagens, permaneceu por perto nos observando. Pelas circunstancias, acreditamos que aquele desconhecido era também um agente da ditadura. Naquela noite no restaurante, consultando o cardápio não encontramos referências às carnes bovinas, tão famosas na Argentina. Fomos então informados pelo garçom, que naquele momento, só era permitido aos argentinos consumirem carne bovina aos domingos e, como era sexta-feira, não constava carne de vaca no cardápio. “Tenemos las truchas, el ciervo, el cordero y el jabalí, excelentes carnes acompañadas con ensaladas de vegetales frescos cultivados en la región. Vaca se come en Buenos Aires”. - Complementou o garçom explicando que o excedente da carne era destinada às exportações.
Entre comentários e alguns deboches sobre as ditaduras no Brasil e na Argentina, fizemos os nossos pedidos.

Em certo momento, o garçom que nos servia aproximou-se e, discretamente simulando uma troca de talheres, nos pediu cuidado em nossos comentários, pois "eles" nos observavam. 
Depois daquele aviso sobre o informante, nós aceleramos o jantar e rapidamente voltamos ao hotel. No dia seguinte, sem nenhum problema, nós terminamos as filmagens do comercial no Cerro Catedral. Na volta ao hotel perguntei ao taxista se ele conhecia os cactos da região. Explicamos que era nossa intenção, procurar, fotografar e coletar alguns cactos que cresciam às margens da rodovia.

No Cerro Catedral, Esteves e atores numa pausa das filmagens

Depois de uma breve pausa, o argentino, mais sério do que “cachorro de mudança”, nos respondeu que conhecia as bolinhas de espinhos, entretanto não era aconselhável parar ali para procurar qualquer coisa. O melhor seria seguirmos diretos para o hotel.

De dentro do carro eu podia ver colônias de cactos (Pyrrhocactus?) ao longo da rodovia, algumas ainda semi cobertas pela neve. Mas para coletar ou fotografar, não fomos permitidos.
Dia seguinte voamos de Bariloche para Porto Alegre, com breve escala em Buenos Aires. 

Rio Grande do Sul - Brasil

Do aeroporto de Porto Alegre, o meu companheiro de trabalho seguiu, com o equipamento, direto para Goiânia, enquanto que eu permaneci na cidade para me encontrar com meu especial amigo, o escultor e apaixonado pelos cactos, Francisco Stockinger.
Gentilmente, o Chico não permitiu que eu ficasse em hotel e hospedou-me em sua residência.  Naquela oportunidade pude conhecer mais um pouco do grande trabalho daquele brasileiro: gravuras, desenhos, esculturas em bronze e pedra, etc.

Nos seus desenhos, as formas humanas estavam sempre nuas e ele fazia questão de destacar suas “genitálias”. Isso também valia para as peças fundidas em bronze: as genitálias dos personagens estavam sempre em destaque. Outra marca inconfundível do Francisco Stockinger eram suas cartas (na época não havia Internet), onde a sua assinatura vinha sempre acompanhada por um desenho da sua própria caricatura (com o escroto destacado).
Além da obra do artista, conheci a sua bela coleção de cactos. Na verdade a sua coleção, diversificada e bonita, se encontrava espremida entre paredes, com áreas sombrias aonde o sol nem sempre chegava, levando muitos dos seus cactos a serem atacados por insetos sugadores ou até serem mortos pela falta de sol. Ele dizia que em breve estaria construindo uma nova estufa, para abrigar melhor as suas plantas... 

Estávamos na estufa, quando de repente, um filhote de Ruski Siberiano, surgiu correndo entre nós. Era um magnífico animal de olhos azuis e, por alguns momentos, o Chico se esqueceu da minha presença e se divertiu correndo pelo pátio, brincando com o belo cão do seu neto.
Lembro-me que, naquela noite, fomos a um restaurante especial onde saboreamos uma Costela à Moda Gaúcha (ou outro nome parecido), acompanhada por excelente vinho da região. Durante o jantar, entre os assuntos variados, o cultivo de cactos foi o mais interessante e, principalmente, o gênero Discocactus ganhou grande destaque, pois era um dos gêneros mais apreciados pelo Chico. - Ele dizia (Pela sua deficiência auditiva, falava bem alto): “Esteves, quanto chegares em tua terra natal, cata um Disco, daquele bem grande, e me envia pra ser cultivado aqui, na margem do Guaíba. Quero aquele que descobristes e que já foi capa da lista telefônica, tchê”. - Ele se referia ao Discocactus diersianus Esteves, (C & S Journal U.S.A - 1979), linda espécie nativa em Goiás, que atinge 40 cm de diâmetro.

Peça fundida em bronze: genitálias explicitas

Ruski Siberiano

Residência do Chico, a direita o cactário e ao fundo o Guaíba (1981)

No dia seguinte seguimos numa breve viagem (dois dias) em direção a Bagé, passando pelas Minas de Camaquã. Estava chovendo fino, e o minuano soprava forte. Agasalhei-me da melhor forma que dispunha, - acima da camisa normal, usei apenas um casaco leve (Na Argentina eu havia alugado grossos casacos, luvas, botas especiais e até meias e, com aqueles apetrechos para neve, eu não senti frio). Acostumado com o Minuano, o Chico bem protegido por um grosso casaco, saltitava com desenvoltura por entre as "tuneirinhas". Durante a viagem, ele enumerava tudo de bom que existia no Rio Grande do Sul (Ao conversar eu sempre me posicionava o mais de frente possível, em relação ao Chico, justamente para facilitar a leitura dos meus lábios, entretanto ele sempre dizia que não era necessário, pois seria capaz de ler os meus lábios mesmo de lado). Muito alegre e engraçado, o Chico fazia piada até sobre sua saúde e brincava com tudo. Aquela rota já era sua velha conhecida, pois subitamente, ele parava o carro aqui e ali, em habitat invisível para quem estava dentro do veículo, e falava: “Esteves, aqui tu podes apear (do carro), e catar uns Notos bonitos, tchê. Se as ovelhas e cabritos ainda não comeram tudo, lá naquelas pedras tem umas Wigginsia (Notocactus sellowii) bonitas, bem achatadinhas”. - Um pouco à frente, parando o carro no acostamento, ele mostrou-me um habitat bem interessante. Passamos pela cerca (alambrado) e chegamos a uma pequena pedreira superficial onde crescia uma colônia da Parodia langsdorfii (Wigginsia leprosorum). “Esteves, esse habitat aqui era muito bonito, mas agora já está quase todo destruído. Nessa estância se criam vacas de leite e os animais dormem nessas pedras.
Veja essas Wigginsia (mostrando os cactos), estão quase todas arrancadas e quebradas, tchê”.
Como sempre, eu fotografava tudo que era importante na nossa rota.

Acenando, eu sempre chamava a atenção do Chico para o click: "olhe aqui o passarinho, tchê”. Naquela viagem registrei, para a posteridade, alguns instantes do amigo fotografando e admirando os cactos do sul. Pelo caminho, Stockinger seguia contando seus causos sobre as novas espécies de Parodia (Notocactus), principalmente sobre aquela que foi batizada em sua homenagem: Parodia stockingeri (Prestlé) Hofacker & P. J. Braun. Naquele dia, sob chuva e frio, visitamos dezenas de importantes habitats de cactos do sul do Brasil.

Francisco Stockinger em habitat das tuneirinhas  

Parecia-me que o Minuano soprava mais frio do que na Argentina, pois o meu rosto já estava enrijecido. Naquela época, constatamos que muitas colônias de cactos estavam sendo destruídas pelos animais de criação, principalmente comidas pelas ovelhas e cabritos. Na caminhada, pelos campos limpos dos Pampas, o Chico dizia: “Esteves, procura junto dos alambrados, bem debaixo onde os animais não pisam. É debaixo dos arames que as tuneirinhas ainda sobrevivem”. Em certo local da estrada, o Chico parou o carro em frente a  uma casa totalmente fechada e disse: “Esteves, aqui, vamos nos informar e tomar um chá quente, tchê”. Descendo rápido do carro, o Chico foi logo abrindo a porta da casa, só então percebi que estávamos em uma bodega. O proprietário mantinha as portas e janelas fechadas para se protegerem do frio. Após rápida permanência, seguimos nossa viagem. Lembro-me de umas pedras margeando a rodovia para Bagé (naquela época, ainda de terra), onde cresciam pelo menos três espécies de Parodia (Notocactus): Parodia werneri, Parodia mammulosa e Parodia (Wigginsia) sellowii, além de Opuntia sp. e várias bromeliáceas. Como dizia o amigo Francisco Stockinger: “Esteves, aqui é o paraíso das tuneirinhas, tchê! Todos os gringos do mundo vêm aqui, só para roubarem essas bolinhas”. Naquela oportunidade conhecemos a Pedra do Segredo, habitat de uma forma importante da Parodia scopa. - Recentemente, fui informado pelo amigo Frederico Jaekel, que aquele famoso habitat é agora utilizado para camping, rapel e trilhas e, com certeza, as espécies remanescentes na área correm sério risco de extinção. Descendo por uma estradinha que seguia para as Minas de Camaquã, íamos parando e procurando por todas as pedras que vimos. Naquela região fotografei uma pequenina bromeliácea de folhas marrom, do gênero Dyckia. Com sorte coletei algumas sementes e, até hoje, 24 anos depois ainda cultivo alguns exemplares daquela jóia. O Chico conhecia outro habitat de cacto nas proximidades das minas, onde fotografamos mais uma importante espécie: Parodia scopa ssp neobuenekeri. Enquanto andávamos pelas proximidades, o Chico ia falando sobre o roubo das espécies na região: “Bah! Os gringos que andam por aqui já estão podres de ricos. Eles catam tudo para vender lá na Europa, tchê”. Muito falante o Chico ia denunciando: “Esteves, naquelas pedras (mostrando um grande cerro que margeava o rio pelo lado oposto), os gringos descobriram um novo Gymno de espinhos retos (Gymnocalycium horstii). - Bah! Mas para tu chegares até lá é preciso que tu tenhas asas ou uma canoa, tchê”. – Rindo, explicou o Chico.
Estacionado em frente a um bolicho, o carro do Chico chamou a atenção dos presentes, pois exibia uma placa estranha. “Por quê a placa do teu carro é diferente das outras que eu conheço?” Perguntou ao Chico, um piá mais esperto. Tomando a frente, eu respondi pelo Chico: “Garoto, essa é uma placa especial para motorista com problema de audição”. Indicando o Chico, eu disse: “Ele é surdo, mas entende tudo o que falamos”. Lendo os meus lábios, o próprio Francisco se adiantou e explicou o problema da placa.

O frio apertava principalmente porque minhas roupas já estavam molhadas. Não sei ao certo, mas a temperatura estava abaixo dos 2º C, e caindo. Seguindo de cerro em cerro, nós continuamos até chegarmos à linda e produtiva fazenda dos Collares. Na direção sul, uma bela paisagem à tardinha, com o sol se escondendo atrás de grandes cerros, nos dava às boas-vindas.

Na chegada fomos recepcionados à porta do grande casarão pela Sra. Cecília Collares, que nos apresentou aos seus familiares (peço desculpas por não me lembrar de nomes). O Francisco Stockinger era bastante amigo da família e a Sra. Cecília o admirava pelo seu talento como escultor e como pessoa. Era bonito ver os dois trocando gentilezas, enquanto ela narrava determinadas passagens acontecidas nas exposições de obras do artista. A anfitriã nos mostrou parte da fazenda, o casarão e seus aposentos; A cozinha com o grande fogão à lenha, que tinha no seu interior um conjunto de serpentinas que supriam a casa com água quente; Principalmente nos explicou como funcionava o tratamento das peles das ovelhas e como era fiada e tecida a lã, etc. Realmente, tudo era diferente das fazendas e dos costumes do centro do Brasil. Sentados em círculo, em frente à lareira, os anfitriões me argüiam sobre as coisas do planalto, como economia, agricultura, clima, etc. O Francisco (falando alto) dizia: “Cecília, o Esteves trabalha com propaganda, mas é doido pelos espinhos. Já descobriu muitas espécies novas”.
Nossa alegre charla seguiu até lá pelas 22 horas, até que, em determinado momento, me lembrei que estava fedendo suor e que já era hora do meu banho. Meio sem jeito, procurei a Sra. Cecília pela localização de um chuveiro. Prontamente ela me indicou o local (se entre olhando uns aos outros, demonstrando surpresa). O negócio é que, ao lado da lareira o ambiente estava bom, entretanto lá fora o minuano não estava pra goiano. - Brincavam os gaúchos: “Com esse frio todo, o goiano aí resolveu tomar banho?”. Bah! Passa água-de-cheiro, tchê”. Bem, com frio e tudo mais, eu vou nessa, disse. O banheiro era amplo, mais ou menos 12 m². Ao me despir, já fui sentindo o frio arrochar.

Stockinger no frio dos pampas

Pedra do Segredo

Gymnocalycium denudatum (Link & Otto) Pfeiffer ex Mittler

Frailea phaeodisca Spegazzini

Parodia ottonis (Lehmann) N. P. Taylor

Parodia wernerii Hofacker

Parodia langsdorfii (Lehmann) D. Hunt

Parodia scopa (Sprengel) N. P. Taylor

Rápido dependurei a roupa em cabides fixados na parede e fui logo abrindo a água, que saiu fraca... Um pouco morna. Comecei o banho como todo mundo faz: molhando o corpo todo para depois me ensaboar. Molhei aqui e ali, passei sabão lá e acolá. Antes de me ensaboar por completo o frio chegou de vez: O cano da água ficava bem alto, de forma que, quando a água batia no meu corpo já estava gelada. A água corria devagar e fria, então comecei a tremer e bater o queixo sem poder nem falar. O frio foi apertando e chegou a um ponto que nem conseguia me enxugar. Tremia as pernas e por dentro do corpo, uma sensação indescritível. Desesperei-me e rápido fui enxugando mais ou menos e, tremendo, me vesti rápido. Foi como se eu estivesse permanecido pelado, por 10 minutos, no topo do Cerro Catedral
Numa tremedeira incrível e batendo o queixo sem poder falar, retornei a sala com a intenção de me enfiar, todo, dentro da lareira.
Foi uma grande algazarra quando adentrei a sala. Todos riram da minha situação: cheguei com os cabelos molhados e despenteados, tremendo como vara verde. O Chico levantou-se e veio tentar me ajudar, mas infelizmente o frio parecia que estava mais frio ainda. A sorte é que uma cuia de chimarrão já corria de boca em boca e, naquela hora, qualquer chá quente seria bem-vindo. Na expressão exata da palavra, caí de boca na cuia. Logo em seguida a Sra. Cecília correu um garrafão de vinho tinto, que sem dúvida, foi o santo remédio do dia: Bem rápido eu já estava mais quente e falante.
Depois de meia hora de papo, ao calor da lareira, fomos convidados à outra sala para o jantar.

Surpresa! O que era aquilo?

Encontramos uma grande mesa onde o que não faltava era comida e nem vinho. Se me lembro bem, tínhamos mais de 10 tipos de carnes: de terneiro mamão, de frango, de ovelha, de panela, de porco, costelas, espetos corrido, lingüiças e chouriços, etc., sem falar dos arrozes, batatas, macarrões, saladas, farofas, petiscos, frutas (uvas) e tantas outras iguarias dos pampas, que não me recordo mais. Eu nem sabia o que comer, foi um jantar inesquecível. Ainda estava escuro quando o Chico acordou-me para o café. “Esteves, sei que tu estás quente, mas já é hora de tu te esfriares novamente. O sino já tocou e o chá de cuspe já está na cuia. Vamos tomar café e por o pé na estrada, tchê!”. - Concluiu o Chico. Depois de passarmos pelo tambo, (onde tomamos apojo com conhaque, licor, ou outra bebida parecida), seguimos nossa viagem.
Naquela manhã não chovia e o minuano soprava ameno.
Procuramos pelos cactos nos arredores da fazenda dos Collares e nas pedras na direção de Bagé (não chegamos até a cidade), onde encontramos várias cactáceas. Na nascente de um arroio, na base de um cerro, encontramos grupos de Parodia (Notocactus) ottonis, bastante danificados, pisados e com sinais de dentes de animais, provavelmente de ovinos.
Voltamos a Porto Alegre, aonde chegamos ainda com a luz do sol. Ao recordar minha passagem pelos jardins de tuneirinhas e tunas do sul, ao lado do amigo Francisco Stockinger e da hospitalidade da Sra. Cecília Colares, agradeço por tudo.
No terceiro dia, retornei à Goiânia com a memória impregnada pelas imagens dos Pampas e pela lembrança do maior frio que eu já senti na vida. Tudo isso já é passado, mas aquela viagem faz parte da minha história.

 

Eddie Esteves Pereira
Co-participação: Frederico & Ângela.


Todas as imagens, informações e marcas registradas exibidos neste site são propriedade de seus detentores legais. As opiniões expressas em artigos e comentários são de responsabilidade dos respectivos autores e podem não refletir a opinião deste site.
Cactos.com.br © 2001 - 2004 All rights reserved.


text